Con A Lowry
Meu
Beatles favorito sempre foi o
White Album, todo malucão e revolucionário, com seu psicopata "mother superior jump the gun", seus infinitos "number nines" e o "Bungalow Bill" que povoou meus pensamentos por vários anos.
Sempre achei que o
Let It Be era um CD fraco, coisa de fim de carreira, parado. De onde eu tirei isso, meu deus? Ontem eu comprei o bendito (ou maldito, já que foi o último a ser lançado) e não consigo parar de ouvir.
É impossível não usar a palavra
seminal pra descrever o clima. A maior parte do disco é gravado ao vivo, mostrando o quanto os caras estavam bons em termos técnicos, e o quão longe essa banda estava daqueles que um dia gravaram "Help" - claro que, em se tratando de Beatles, sem perder a personalidade e sempre ganhando em musicalidade.
Que tesão de CD.
Pouca psicodelia, muito violão e uma certa angústia sincera de fim de banda, como se ao cantar "Across the Universe" John já estivesse com saudade. Não que não houvesse resquícios de todo o experimentalismo anterior, pelo contrário. É como se, depois de todo tipo de viagem, moog, sítara, fossemos transportados de volta a Liverpool, de volta ao "One After 909", desta vez com a maturidade que o tempo se encarregou de implantar nos quatro.
Apesar de toda a controvérsia, se não houvesse Yoko, o John não ia se inspirar pra escrever "Dig a Pony", que era pra ter o nome desse post, que por sua vez não significa coisa nenhuma.