Relatório Sobre a Reinauguração do MIS (Museu da Imagem e Som) Sob o Aspecto Culinário
ou
Se Não Têm Pães, Que Tomem Sopinha
por Nando Rossi
A multidão se aglomerava no espaço da casa, feita para comportar alguns curiosos mais aculturados, mas que aquela noite fria, parecia pequena para tanta gente. Homens e mulheres se acotovelavam para conseguir um pouco das sopas perfumadas que eram distribuidas, trocavam olhares em cima da mesa dos pães, como tigres há meses sem comer que finalmente encontravam uma presa. As bebidas que restaram permaneceram em seus vidros, pois os copos foram extintos em questão de minutos.
Não, não se trata de um programa resultante do programa Fome Zero. Nem mesmo de mendigos em um albergue, apesar de ter sido essa a impressão que a classe média passou durante o evento de reabertura do MIS (o Museu da Imagem e Som).
Se por um lado a noite de 18 de agosto de 2003 foi marcada por glamour, personalidades e principalmente a histórica reinauguração de um importante centro cultural na capital Paulista, também foi uma excelente desculpa para muita gente jantar de graça.
Mas apesar da voracidade com a qual os quitutes foram atacados soar um tanto descabida, a qualidade e variedade da comida era excelente. Duas mesas abrigavam pães de forma, italianos, franceses e baguetes e patês saborosos, de queijo, tomate seco e outro sabor que não pude identificar.
A outra parte do banquete foi fornecida por parcerias inteligentes realizadas com marcas já famosas: logo na entrada, avistava-se um stand da marca Chandon, onde eram distribuidas taças - que rapidamente se esgotaram - cheias da champagne, coerente com o intuito do evento; mais adentro no salão, havia um stand com três tipos de sopas (ervilha com bacon, batata com alho-poró e um terceiro sabor que também não consegui definir), as quais eram cuidadosamente servidas em canecas de lata por estudantes uniformizadas - e lindas, por sinal - da faculdade Anhembi Morumbi.
No piso superior, uma atração não-culinária mas igualmente deliciosa era o jazz sonoro gerado por três garotos, cujos primeiros fios de barba devem ter surgido duas noites antes do evento, mas que tocavam com uma precisão e calma que muito tocador profissional invejaria.
Torçamos para que essa multidão que compareceu tão desnutrida na reinauguração continue frequentando o museu, alimentando também os olhos e ouvidos com o acervo espetacular que volta agora ao domínio público.