myWorldLoveBlog

I am not my blog.

quinta-feira, junho 19, 2003

cleaning out


Feriados são sempre bem-vindos. Principalmente neste meu período de semi-férias, fim de semestre.
Agora quer me ver feliz? Faz São Paulo ficar tão vazia e linda (e limpa) como nesses feriados quando todo mundo quer mais é sair da cidade.
Veja bem, não é bairrismo, mas eu realmente acho que as pessoas deveriam procurar melhor o lugar onde elas vivem. Será que todo mundo aqui gosta de viver no caos, nesse lugar onde até pra tomar café-com-leite na padoca tem que pegar fila? Duvido. Mesmo porque, um monte de gente vive reclamando disso. Que tal procurar então um canto sossegado nesse brasil varonil? Aqui não tem praia, é poluído, caca, caca!

Eu sou do tipo que não tem conserto. Não que eu goste de pegar trânsitos de 200km só porque uns metroviários resolveram que não tão afim de trabalhar, mas acho que faz parte. Adoro essa porcaria de concreto, mesmo no estado em que está. Como disse meu amigo outro dia, eu amo São Paulo não pelo que ela é, mas pelo que poderia ser. Essa esperancinha idiota é típica de brasileiro não... como se eu fosse viver pra ver isso aqui virar algo bonito. Mas eu não ia viver bem em um lugar menos megalópole, menos cheio de tudo por todos os lados.

O que eu não gosto é multidão, é a concorrência (até por isso eu prefiro de ficar no meu apê, zen, ouvindo o que eu gosto, tocando o que eu gosto). E por isso eu amo ficar em São Paulo nos feriados: a Av. Água Espraiada, toda ensolarada, em sua séria comprideza, sem uma alma viva em pleno meio-dia não poderia ser mais agradável. Parece que o mundo fica exatamente como ele deveria ser.

terça-feira, junho 17, 2003

Fire.


"There's no use in feeling,
All the things I'm feeling.
There's no one here to feel with me."

Badly Drawn Boy


Tem mais uma luz em sua sala. Sentado em frente ao mesmo computador de sempre, ele tenta se concentrar e cumprir as obrigações com as quais se comprometeu. Afinal, já é um homem adulto, capaz, estimado, assalariado, motivado.
Não dá pra se concentrar.

A cada respirada funda, abre uma parte do trabalho. Mal sabe por onde começar. As fotografias, será que já pagaram o fotógrafo? Esse nunca mais lhe presta nenhum favor... Sabe lá ele. Salva as fotos no seu disco rígido e logo se levanta, esquenta uma sopa. Vê no caminho o lustre que não funciona, experimenta uma lâmpada nele e descobre que ele funciona! É uma nova era em sua vida, agora com duas lâmpadas iluminando tudo que o rodeia, principalmente os cronogramas e as contas penduradas em seu mural, cheio de fotos e poemas e contas de luz e gás.

Respira fundo novamente. Não dá pra fazer isso. O que deixar pra depois? A página do professor que pode o substituir facilmente por algum aluno competente e capaz de entregar seus trabalhos com um prazo humanamente decente? O trabalho da faculdade que pode salvar seu semestre? Seu jantar? Seu amor? Seu tesão? Tenta lembrar onde ficou seu tesão por tudo o que faz. Não consegue, talvez em Nova York, em 1996, antes de tudo parecer pior.
É coisa demais. Levanta de novo e pega uma cerveja. Assiste o jornal. Assiste o começo da novela, sente uma pontada de culpa - deveria estar trabalhando. É trabalho demais. Preferia tocar piano. Preferia ser um caranguejo rastejando no fundo do oceano, preferia não ver que tudo é horrendo - basta chegar perto o suficiente. Preferia não acreditar tanto em T. S. Eliot. Preferia não preferir.

killed by knife like scalpel



Um assassina o seu amor na juventude,
Outro, quando ancião;
Com as mãos da luxúria este estrangula, aquele
Empresta do ouro a mão;
Os mais gentis usam a faca, por que frios
Os mortos logo estão.


Oscar Wilde

segunda-feira, junho 16, 2003

Make Me Out Before You Go-go


Pega no meu wallpaper e balança.

Viu mãe, eu tô vivo.


Ao contrário dos boatos que você deve ter lido pelos tablóides Brasil afora, este blog não vai morrer, mas sofrerá mutações. Parece que as coisas foram acontecendo, acontecendo, e eu simplesmente não sinto a mesma necessidade que eu tinha há algum tempo atrás de vir aqui e postar.
Talvez seja culpa da falta de tempo para ter idéias boas, talvez tenha enjoado desse formato blog, não tenho certeza. Só sei que quando eu criei esse blog, eu prometi para mim mesmo que pararia quando postar se tornasse uma obrigação. Eu sei que ninguém está me implorando pra postar, mas por algum motivo interno, sinto que tenho essa dívida pra quem vem aqui ler - e sei que é um saco ver o blog tomando poeira.
Pois bem. O Make Out Club está indo de vento em popa, o gonGo está quase voltando em sua segunda versão e enfim, quero experimentar outros projetos. O que isso significa é que eu continuo postando - o Lou também (ameaças de morte funcionam mesmo! hehe) - e o blog continua aqui, mas quero que vocês possam acompanhar as outras coisas que eu e o Lou fazemos, e pretendo reformular este site para dar mais destaque a essas coisas.
Espero que vocês não sumam e entendam que não é cu doce (não é não, tá???)...

domingo, junho 15, 2003

Eu nunca, nunca, nunca...


Para alguns a vida se baseia em fatos claros lógicos e concretos (chatisse). Para outros basta que a tudo que faça tenha uma luminosidade grande o bastante para preencher seu coração.

Tudo é valido só não podemos nos esquecer que precisamos de muitas coisas em nossa vida - não somente tampar o vazio transferido à nós sem prévia avaliação. Seja como for o importante mesmo é ter os olhos abertos. Mas só podemos explicar, ou talvez nem isso, aquilo que se passa conosco ...e que só você e mais ninguém saberá - aquilo que nem com as palavras mais nobres poderiam exemplificar.

Amo a vida acima de tudo e tudo que dela brota, o ciclo e a roda incessante que faz com que nada pare nunca.



*Este texto foi escrito por "Sidelei" durante uma sessão-lobotomia-auditiva da chata, irritante e diabética "All By Myself", de Celine Dion*



Ai se mata!